Saturday, August 18, 2012

writing

"Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas,
senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira."
Carlos Drummond de Andrade (31/10/1902-17/08/1987)

Sunday, August 12, 2012

forecasting (?)

"I give the Stones about another two years..."
(Mick Jagger, 1963)
(at Somerset house, London)

in need of some serious travelling

(this goes for argentina, australia, austria, budapest, the caribbean, berlin, brasil, new zeland, south africa, lisbon...and home.)
[plus, everywhere else]

happiness is simple (3)

Buffett wisdom


“There comes a time when you ought to start doing what you want. Take a job that you love. You will jump out of bed in the morning. I think you are out of your mind if you keep taking jobs that you don't like because you think it will look good on your resume. Isn't that a little like saving up sex for your old age?”

“Should you find yourself in a chronically leaking boat, energy devoted to changing vessels is likely to be more productive than energy devoted to patching leaks.”

“No matter how great the talent or efforts, some things just take time. You can't produce a baby in one month by getting nine women pregnant.”

“Life is like a snowball. The important thing is finding wet snow and a really long hill. ”
 “I could end the deficit in 5 minutes. You just pass a law that says that anytime there is a deficit of more than 3% of GDP all sitting members of congress are ineligible for reelection."

“It's nice to have a lot of money, but you know, you don't want to keep it around forever. I prefer buying things. Otherwise, it's a little like saving sex for your old age.”

“You know ... you keep doing the same things and you keep getting the same result over and over again.”

"You never know who's swimming naked until the tide goes out." 

“Never ask a barber if you need a haircut.”

hindsight

distance is a variable that tends to move along 2 axis: time and space. as we move along any of them them, thus getting further away from events and people, things start becoming clearer.
time takes away the contingencies that make an experience subjectively harder or better, turning it into (more objective) facts. it is only in time that I can regret what ever I did or did not do (mostly the former), understand the true motives behind decisions and learn from my most unfortunate judgment calls - only to try again.

physical distance can provide one of two things - it can either make things quickly fade away from easily accessible memory, or highlight who and what is important in full color. regardless of where I might be at a given moment - that tends to be the best sanity check, pointing to where home is.

[all in all, whenever I'm questioning whether I'm doing things for myself, and/or if I'm not missing home whenever I'm away from it, it's never a bad idea to take a step back and have an honest talk with myself.]

eu nem vi

[você chegar]
[Ainda faz um tempo bom
Pra desperdiçar comigo
Podemos enfeitar domingos]

Wednesday, July 4, 2012

Risk-taking

When people look back, they always regret not having taken on more risk, not less.
(Richard Gnodde)

Thursday, June 28, 2012

it was the best of times, it was the worst of times...


...dizia Charles Dickens, num livro (mais um) na minha lista de não-lidos.

como tudo, todos os sonhos têm dois lados da moeda. começam invariavelmente com a perseguição, a frustração no tropeçar em falso das pedras da calçada. muitos ficam por aí, outros seguem o seu caminho até ao rasgar da invariável fita no atingir do horizonte durante tanto tempo distante.

a chegada é sempre um misto de realização, tristeza, felicidade e medo. um conjunto de pessoas, de coisas, que correspondem à imagem durante tanto tempo difusa, de tão clara. pessoas que marcam momentos fúteis, abraçam tristezas e elogiam sorrisos. [pessoas que ficam - na partida.]

aí reside, contudo, a dualidade do sonho. é sempre tarde, e falta sempre o novo caminho que possa popular um horizonte mais longínquo, que nos faça seguir caminho, continuar a lutar contra os estigmas que refrearam a passagem por estradas mais ou menos enlameadas, muitas vezes percorridas no silêncio ensurdecedor que só a solidão sabe proporcionar.
talvez por isso saiba sempre tão bem voltar a casa, rever o conforto de abraçar a guitarra no escuro
[onde ninguém ouve]. 

Thursday, June 14, 2012

Sunday, June 10, 2012

Friday, June 8, 2012

hunting

Ando à caça de palavras resplandecentes, tropeço nelas
dentro e fora
da vida,
interpreto, magoo-me, interpreto outra vez, sujo-me, borro a minha pintura da cara que não tenho, das caras que fui desenhando sobre a cara que me faltou.
(Inês Pedrosa in "Fazes-me Falta")

correcção

Não tenho sequer tempo para levantar os olhos da estrada de papel. Os corpos das letras espalham-se em sangue negro alinhado nas veias vulgares do asfalto. No meio olhar de luz intensa, o choque brutal conta a minha testa imensa de ideias. O vidro frontal estilhaça-se nos cortes do ferro que entra sem resistência da água mole da minha carne.
Sonho o impacto e levanto-me nos gestos do sono. Estou imóvel no chão que sinto a rir por baixo de mim. A rua de gritos das velhas lamenta-se infinita pronta a engolir-me. Era tão jovem. Que desgraça, nosso senhor. Ninguém merece acabar assim. Adivinho o cerco que se abate sobre mim. Adivinho o impacto quando abro o frigorífico em cima, retiro a manteiga e a esfrego morta num pedaço duro de pão
Em baixo, metros à frente uma pena de pombo erecta e heróica no meio exacto da morte sem identidade. À distância da garra um gatinho aos pulos de sangue final. E eu igual a todos. Sepultada fora da terra, no olhar disco cheio de prata dos gritos das velhas.
Em cima, hoje olho duas vezes pela janela. Desço os três andares em nódoa de café com leite e pão duro atravessado na garganta. Os miúdos novos colados na esquina gulosos da idade. Olho para eles sem sorrir de volta.
Na rua corrijo o meu primeiro passo na onda suja da calçada. O destino passa em rente de pássaro ladrão pela minha cabeça. Adio o adeus para te encontrar na volta da casa à minha espera sem saberes porquê ou até quando.

(by Fernando Ribeiro)

inspiration