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Monday, December 10, 2012

E o Tejo ali tão perto

"A água sempre foi amiga da alma portuguesa. Ou não nos tivéssemos lançado à descoberta a partir da nossa costa lisboeta, onde o mar se confunde com o rio. Seja mar, ou seja rio, conto sempre com essa linha de água para me orientar. O geográfico torna-se psicológico, porque sabe sempre bem saber que temos ali uma beira-rio onde nos podemos refugiar quando a rotina cansa. Que outras capitais se podem gabar de ter um imenso rio para desfrutar? Não muitas, é certo. Fugir para a beira do Tejo num domingo soalheiro, ou num fim de tarde mais frio. Pode ser para passear, tomar um copo, ou apenas para reflectir. Vê-se sempre um pouco de tudo. Estes são apenas alguns dos privilégios de “ter” um rio. Já dizia o nosso fado, que Lisboa é uma “toalha à beira mar estendida”. Porque, afinal, o Tejo está sempre ali à nossa espera."

Wednesday, October 10, 2012

28

nunca pensei apaixonar-me por uma cidade. muito menos por ti, lisboa, minha menina. (e moça.)
vim, pé ante pé. vim a medo, como de resto é característico das pessoas que se lançam no desconhecido.

e apaixonei-me. pelas tuas esplanadas, pelo teu sol a iluminar páginas e páginas de conversas de café. 
seguiram-se as praias, tanto criticadas - sobretudo as desertas, para além do Tagus. 
vieram, depois, todos os outros cafés, porventura os mesmos, num pleonasmo acidental. atrás deles, os restaurantes a olhar as melhores vistas da cidade, ao sabor de uma garrafa de vinho proveniente das vizinhanças.
(e as praias, outra vez.)
apaixonei-me também por uma mão cheia de coisas que ficaram por fazer. daquelas que dão mais vontade de voltar. 
(a casa.)

Wednesday, September 26, 2012

leave

Partir é sempre bitter-sweet. Também o é chegar já depois dos outros partirem - sem nós. 
E eles foram. [Quase todos.]
De parte a parte, as memórias já não são partilhas, apenas histórias. Os encontros perdem a casualidade, transformando-se num moroso processo de marcações em agendas e conflitos com afazeres diversos.

Olhando, agora, através do miradouro, a cidade outrora repleta de cafés que falavam múltiplas línguas, vejo-os tristes ao permanecerem agora vazios, num silêncio onde ressoam apenas as memórias dos que ficam.

Esses - escassos - evitam falar disso, cabisbaixos que estão de os terem deixado por aí. Olho-os pelo espelho de um carro que não é meu, vendo os seus cansados corpos ir para casa - eu, que já não tenho a certeza de onde é a minha.

Wednesday, February 22, 2012

serviço público (?)

diz a gíria que "para bom entendedor, meia palavra basta..."
...será esta duplicação de palavras um insulto à inteligência dos cidadãos lisboetas?
(ou se calhar sou só eu que ando a ver a dobrar...)

Wednesday, November 30, 2011

gulbenkian

é essencial, para mim, numa cidade, saber que há sempre sítios por descobrir.

após 2 anos em lisboa, um check num lugar lindíssimo e mais-que-obrigatório - utilizando um trabalho como pretexto.

claramente, uma óptima opção para ler o jornal e fazer as palavras cruzadas num dia de sol.