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Saturday, April 14, 2012

...

Não te pedi nada. Não fui eu quem falou primeiro em ser feliz. No dia em que me falaste nisso estive até às cinco da manhã sem dormir.
(Miguel Esteves Cardoso, in "O Amor é fodido")
[...] de outra vez disseste-me que, na vida real, eu não aguentaria uma semana contigo. Ou talvez eu tenha inventado que tu me disseste isto. Pouco importa. Posso ter inventado tudo, menos o fulgor perfeito dos nossos corpos juntos. Uma vida inteira não basta para apagar da pele o peso magnífico desse fulgor.
(Inês Pedrosa)

Wednesday, January 18, 2012

predictable

há algo nas pessoas que me perturba. sempre achei que isso decorria de uma composição acima do normal de cinismo a circular por entre os meus leucócitos e eritrócitos, mas é mais do que isso.

resultado, talvez, dessa composição sanguínea anormal, vejo mais do que queria - e, sobretudo, mais do que gostava. vejo os filmes a meio e no fim, muitas vezes antes de ter terminado o genérico inicial - a parte em que toda a sala está ainda a comer pipocas.
este distanciamento - muitas vezes, de mim própria - mantém-me longe. das mensagens, das redes sociais, dos telefones, das discotecas, dos cafés, ...
invariavelmente, sou um spoiler para o meu próprio filme. para bem dos outros, contudo, alimento a sua ignorância e deixo-os no escuro, entretidos que estão com as suas películas de felicidade, integridade e todo um outro conjunto de vocábulos que se tornam um oximoro perante a palavra "verdade".
eles não sabem, mas todas as suas histórias alimentam silenciosamente todo um saber que me impede de desfrutar de uma série de coisas que me fazem falta e cuja ausência guardo para mim, de tanto que me perturba. 
hoje, acrescentei 2 novas variáveis à minha estatística - subindo o meu intervalo de confiança acima dos 97%. (há dias em que preferia ter já olvidado todo o meu conhecimento econométrico)

(um rascunho esquecido, de 24 de Novembro de 2010)

Thursday, November 24, 2011

(someone like) you

a Adele diz que anda à procura de alguém Como Tu mas, na verdade, o que ela procura és Tu.

é aí, aliás, que falha todo o processo - em busca de meras parecenças, deveria ter rapidamente encontrado um teu semelhante que preenchesse os requisitos de ser "como tu" com uma probabilidade de erro inferior a 5%, garantindo assim um intervalo de confiança de 95% para as similitudes desejadas.

ao procurar-Te, contudo, é-lhe impossível encontrar-Te nos outros - nunca irá perceber que apenas indo ao teu encontro poderá ter pretensões de um dia vir a cessar a sua busca.
(quanto mais não seja, para descobrir que Tu não existes)

Friday, November 18, 2011

puro plágio - cepticismo

Não conheço esta família, mas podia perfeitamente ser a minha - ou outra qualquer.


"Tenho quinze primos direitos. Oito estão casados, e alguns «bem casados», como se diz, naquela lógica «de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades». Cinco divorciaram-se, e quase nenhum desses desquites surpreendeu alguém. E há duas primas solteiras, uma das quais é «contra o casamento» ou coisa assim. A minha família talvez não seja uma estatística representativa, mas é o meu mais próximo objecto de afecto e de estudo, e um ponto de apoio seguro para o meu pessimismo."
(in A Lei Seca)

puro plágio - repetições

"Há um poema de Yehuda Amichai que diz: «não sei se a História se repete mas sei que tu não te repetes». A ideia de que a História se repete tem em geral conotações nefastas, e isso torna a incerteza do sujeito mais positiva do que negativa. Mas o «tu não te repetes» é bastante ambíguo, tanto pode ser motivo de alegria como de angústia, e dessa ambiguidade o sujeito tem a certeza."