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Sunday, November 18, 2012

comparação de metáforas

tendemos a comparar os presentes ao passado.

nem sempre (raramente) é justo, exigindo mais de nós à medida que o tempo passa, e os conhecimentos e acontecimentos se acumulam num rol de requisitos que a miopia do tempo vai tornando difusos, ainda que omnipresentes.
como um teste de hipóteses, vamos rejeitando ou aceitando os pressupostos à medida que os resultados aparecem, acabando por reduzir o tamanho da amostra disponível - e, com isso, inerentemente, aumentando sistematicamente a probabilidade de erro, originando um ciclo muito pouco virtuoso.

é dúbio que isto nos torne, ou aos nossos, melhores, sobretudo sem que se altere a priori o valor crítico que guia a tomada de decisão:
 dou por mim por vezes a falar por ou para outrem, que não reconheço em nenhum dos interlocutores

Sunday, May 20, 2012

efeito de substituição

tendemos a substituir as pessoas. quer sejam amigos de quem nos afastamos, ou antigos amantes, há em nós constantemente espaços que se criam e que sentimos necessidade de preencher.
vamos, assim, encontrando novas coisas, novas pessoas, que vamos deixando aproximarem-se e entrar nesses pequenos recantos. e damos-lhes um bocadinho de nós, não só pela procura do preenchimento, mas pela necessidade intrínseca da partilha - que, muitas vezes, parece tornar as coisas mais reais.

Thursday, April 12, 2012

a passagem

"Foi um processo longo e difícil, como sempre o são as aproximações entre duas pessoas habituadas a estarem sozinhas. Primeiro parece fácil, é o coração que arrasta a cabeça, a vontade de ser feliz que cala as dúvidas e os medos. Mas depois é a cabeça que trava o coração, as pequenas coisas que parecem derrotar as grandes, um sufoco inexplicável que parece instalar-se onde dantes estava a intimidade. É preciso saber passar tudo isso e conseguir chegar mais além, onde a cumplicidade - de tudo, o mais difícil de atingir - os torna verdadeiramente amantes."
("A passagem" - Miguel Sousa Tavares)

Friday, March 16, 2012

princípios

Em conversa com um "estranho", ouço:
"- Admiro muito que sejas fiel aos teus princípios - eu não sou capaz."

O que me intriga nesta afirmação não é tanto o espanto (do outro lado) perante alguém com princípios, mas sim o contra-senso inerente ao raciocínio de que é possível ter valores sem ser fiel a eles - por outro lado, tendo em conta a disseminação de hipócritas que anda por aí, talvez haja um fundamento para tal perplexidade.

Sunday, February 19, 2012

the chase

"Os estudos realizados começam por demonstrar que negar um produto aos consumidores conduz a que estes o desejem ainda mais. [...] Os mesmos consumidores que desejam mais esses produtos também gostam menos deles." e, quando os obtêm, pensam "e agora? é isto?"

"Esses e outros estudos demonstram que querer é uma variável diferente de gostar, o que - neste contexto - constitui uma novidade absoluta no domínio das ciências do comportamento do consumidor."
Tal como o comportamento descrito em relação aos produtos, muitas pessoas têm comportamentos similares no que concerne às relações: a perseguição de uma pessoa é desafiante, repleta de adrenalina e desejo.
Uma vez terminada a conquista, rapidamente se deixam cair numa rotina que se torna, por definição, monótona e aborrecida, perdendo o sentimento que havia despertado o interesse inicial.

Será a natureza humana incapaz de escapar ao cliché: "o fruto proibido é o mais apetecido"?

Wednesday, February 8, 2012

Conformismo

"Não há condição de vida a que um homem não se possa acostumar,
especialmente se a vir aceite por todos os que o rodeiam."

Friday, January 27, 2012

o poder da palavra

Confesso que a maioria das coisas boas ou más que me dizem e fazem me afecta pouquíssimo. Excepto quando vêm de uma pessoa de quem gosto mesmo, caso em que quase tudo se torna vinculativo, definitivo, patológico. Gostar é constituir um poder. Um poder que é constituinte.
 (in A Lei Seca)

Tuesday, January 24, 2012

monogamia

li recentemente um artigo escrito por uma psicóloga, que advogava o fim da monogamia. na altura pareceu-me um excesso de dramatismo, ou uma desculpa para a infidelidade, swing e outros conceitos que me arrepiam. 
hoje, e olhando à volta, longe e perto tudo o que vejo sustenta a ideia de que a leviandade e o desrespeito total pelo conceito de "compromisso" se tornaram, mais que uma excepção ou tendência, uma realidade.

evolução...ou sintomas  de uma sociedade sem  valores?

(talvez não fosse má ideia as pessoas fazerem mais uso destes "cartões de cortesia")

Wednesday, January 18, 2012

shhhh

talvez por ser uma arte, são raras as pessoas que o conseguem executar na perfeição.
(uma pena só ter descoberto isto agora, poderia ter dado boas prendas de natal)

predictable

há algo nas pessoas que me perturba. sempre achei que isso decorria de uma composição acima do normal de cinismo a circular por entre os meus leucócitos e eritrócitos, mas é mais do que isso.

resultado, talvez, dessa composição sanguínea anormal, vejo mais do que queria - e, sobretudo, mais do que gostava. vejo os filmes a meio e no fim, muitas vezes antes de ter terminado o genérico inicial - a parte em que toda a sala está ainda a comer pipocas.
este distanciamento - muitas vezes, de mim própria - mantém-me longe. das mensagens, das redes sociais, dos telefones, das discotecas, dos cafés, ...
invariavelmente, sou um spoiler para o meu próprio filme. para bem dos outros, contudo, alimento a sua ignorância e deixo-os no escuro, entretidos que estão com as suas películas de felicidade, integridade e todo um outro conjunto de vocábulos que se tornam um oximoro perante a palavra "verdade".
eles não sabem, mas todas as suas histórias alimentam silenciosamente todo um saber que me impede de desfrutar de uma série de coisas que me fazem falta e cuja ausência guardo para mim, de tanto que me perturba. 
hoje, acrescentei 2 novas variáveis à minha estatística - subindo o meu intervalo de confiança acima dos 97%. (há dias em que preferia ter já olvidado todo o meu conhecimento econométrico)

(um rascunho esquecido, de 24 de Novembro de 2010)

Thursday, December 15, 2011

home alone

perdi a conta ao número de vezes que vi este filme - acredito, aliás, que foi o filme que me ensinou Inglês, de tanto que repeti mental e verbalmente cada sílaba proferida por cada personagem.
lembro-me de, já então, me identificar com a alegria do miúdo que se vê, repentina e fortuitamente, sozinho. continua a dar-me imenso prazer trancar a porta, pôr a música demasiado alta e dançar como se ninguém estivesse a olhar - pouco me importa se os vizinhos conseguem espreitar pela janela. 
preciso, regularmente, de me sentar no sofá a escrever, a ver um bom filme, ou simplesmente a reflectir enquanto contemplo o sol pela janela - comigo.

talvez por isso, estranho bastante que as pessoas não saibam estar sozinhas - quer seja por não querem, por acharem que a sociedade não o vê com bons olhos, ou por lhes causar constrangimento.

saber estar sozinha é, para mim, fonte essencial de auto-conhecimento e pressuposto para "saber" estar com os outros. 
(e continuar a ser Eu.)

thin red line

que nem teias de aranha, vejo-as por todo o lado.
consoante a incidência dos raios solares, perspectivo-as mais nítidas ou difusas - ainda assim, uma presença constante.

as linhas
ténues
cinzentas
o andar de um lado
para o outro

(é essa transição que custa - bem mais do que caminhar sobre o limbo.)

Friday, December 9, 2011

indiferença...

...ou ignorância?
Num dia em que questionei várias (/demasiadas) vezes as pessoas que me rodeiam - ou a mim mesma, talvez - descubro uma fotografia que data de 11 de Setembro de 2011, mas que podia ter sido tirada hoje.
(E diz tanto sobre as pessoas - as de hoje.)

Por mais que olhe, até quase semi-cerrar os olhos, tal é o esforço de focar estas pessoas, tenho uma dificuldade inerente em identificar o que está por trás de tamanha Apatia.

Friday, December 2, 2011

pass time

numa sociedade em que ninguém "tem tempo" para nada, sobretudo nada que implique ter iniciativa e/ou estar com "pessoas "reais" (amigos?), é mais que irónico (para além de assustador), o quanto as pessoas usam a internet para, simplesmente, queimar tempo.
a internet é, assim, o grande concorrente de opções de lazer como o cinema, cafés, bares, teatro et cetera.

sinal de uma crise económica...ou de uma crise social?

(gráfico encontrado aqui enquanto "fazia tempo" antes de um treino)

Wednesday, October 19, 2011

diletantes


Como uma personagem saída de um livro de Eça de Queirós, aproveito não raras vezes para deambular por sítios familiares e desconhecidos. Aproveitando um dia mais soalheiro e uma esplanada estrategicamente orientada a nascente, dou por mim, quase inconscientemente, a dactilografar – a carvão (sempre a carvão) – trivialidades aleatórias.

Simultaneamente, 
enquanto confortavelmente recostada, observo os passos em volta – os outros, tão proximamente distantes. Inerentemente hiperactiva, começo por lhes estranhar o marasmo, o excesso de tempo livre em idade adulta, espelhado numa transparência inexpressiva – tentativamente ocultada pelo esboçar de uma expressão tão indecifrável quanto assustadora.
Encontro-os, aleatoriamente, 
nos mais diversos locais – nos quais computo  frequentemente uma densidade acima do esperado ou expectável. Espontaneamente, outras contas começam a acumular-se, tentando desconstruir as fontes de tempo e rendimento. Estranho o excesso de ócio, o conforto excessivo nesta rotina que dificulta a distinção clara entre os dias, tão similares e vazios.



Silenciosamente, como uma criança a tentar perceber o mundo pela primeira vez, coloco em voz alta e incessantemente todos os meus “porquês” – limitando-me a ouvir o eco vazio do lado de lá.

(é ensurdecedor)

Sunday, October 16, 2011

souriant

sempre me pareceram demasiado sisudas (as pessoas).
nos comboios, nos passeios, nos autocarros, nos cafés...mesmo (ou sobretudo?) acompanhadas, os semblantes carregados, deprimidos.

talvez por isso me dê um superior prazer sorrir, porque sim - sobretudo quando sozinha, e sem qualquer relação com o meu estado de espírito.

reparo, claramente, no sobressalto alheio ao vislumbrarem o esboço de tal movimento nos meus lábios - talvez por não ser aparente o motivo subjacente, e certamente pela espontaneidade.

não raramente, é a inocência dos que ainda não falam - deslumbrados que ficam com a atenção de um olhar sorridente - que devolve o sentimento.

(onde será que os outros guardaram o seu síndrome de Peter Pan?)

Tuesday, October 11, 2011

a rapariga dos filmes

é, possivelmente, redutor. contudo, não raras vezes, dou por mim a observar as pessoas tal e qual como se de uma película cinematográfica se tratasse.

os primeiros minutos são, assim, cruciais - a imagem, a musicalidade e, claro, os diálogos iniciais. é isso, de facto, que me agarra ou, por oposição, refreia o meu entusiasmo.


a verificar-se o cenário optimista, permaneço concentrada durante um período relativamente longo de tempo - tendo em conta o déficit de amplitude no meu espectro temporal de atenção.
inconscientemente, entro. 
absorvida nas entrelinhas da conversação, esqueço-me que nada daquilo é real - sobretudo as pessoas.

caso contrário, vou tentando passar rapidamente para a frente e, neste  fast-forward inquietante, faço um esforço consciente para continuar ali, sobretudo quando já não quero - numa ansiedade que apenas em esforço consigo suster.
(à espera do fim?)