Showing posts with label relações. Show all posts
Showing posts with label relações. Show all posts

Tuesday, January 24, 2012

monogamia

li recentemente um artigo escrito por uma psicóloga, que advogava o fim da monogamia. na altura pareceu-me um excesso de dramatismo, ou uma desculpa para a infidelidade, swing e outros conceitos que me arrepiam. 
hoje, e olhando à volta, longe e perto tudo o que vejo sustenta a ideia de que a leviandade e o desrespeito total pelo conceito de "compromisso" se tornaram, mais que uma excepção ou tendência, uma realidade.

evolução...ou sintomas  de uma sociedade sem  valores?

(talvez não fosse má ideia as pessoas fazerem mais uso destes "cartões de cortesia")

Wednesday, January 18, 2012

predictable

há algo nas pessoas que me perturba. sempre achei que isso decorria de uma composição acima do normal de cinismo a circular por entre os meus leucócitos e eritrócitos, mas é mais do que isso.

resultado, talvez, dessa composição sanguínea anormal, vejo mais do que queria - e, sobretudo, mais do que gostava. vejo os filmes a meio e no fim, muitas vezes antes de ter terminado o genérico inicial - a parte em que toda a sala está ainda a comer pipocas.
este distanciamento - muitas vezes, de mim própria - mantém-me longe. das mensagens, das redes sociais, dos telefones, das discotecas, dos cafés, ...
invariavelmente, sou um spoiler para o meu próprio filme. para bem dos outros, contudo, alimento a sua ignorância e deixo-os no escuro, entretidos que estão com as suas películas de felicidade, integridade e todo um outro conjunto de vocábulos que se tornam um oximoro perante a palavra "verdade".
eles não sabem, mas todas as suas histórias alimentam silenciosamente todo um saber que me impede de desfrutar de uma série de coisas que me fazem falta e cuja ausência guardo para mim, de tanto que me perturba. 
hoje, acrescentei 2 novas variáveis à minha estatística - subindo o meu intervalo de confiança acima dos 97%. (há dias em que preferia ter já olvidado todo o meu conhecimento econométrico)

(um rascunho esquecido, de 24 de Novembro de 2010)

Friday, November 18, 2011

puro plágio - cepticismo

Não conheço esta família, mas podia perfeitamente ser a minha - ou outra qualquer.


"Tenho quinze primos direitos. Oito estão casados, e alguns «bem casados», como se diz, naquela lógica «de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades». Cinco divorciaram-se, e quase nenhum desses desquites surpreendeu alguém. E há duas primas solteiras, uma das quais é «contra o casamento» ou coisa assim. A minha família talvez não seja uma estatística representativa, mas é o meu mais próximo objecto de afecto e de estudo, e um ponto de apoio seguro para o meu pessimismo."
(in A Lei Seca)

Thursday, October 13, 2011

a porta para dentro


"Quero acreditar que já não estarias em casa por alturas em que cheguei mas não sei dizer. A verdade é que não te procurei. Mais uma vez. Penso que fiz as coisas do costume, penso hoje quando penso nisso que fiz as coisas do costume, terei deixado o sobretudo ao acaso, abri o frigorífico fechei abri uma outra vez, sem saber bem o que procuro, acontece-me quase sempre.

As coisas do costume. Vagueei sem saber bem, o sobretudo caído alguém há-de arrumar, tu tratas disso. Do frigorífico abro fecho abro outra vez, quero pouco, não sei que quero, deixei de beber prometi-te acho que te prometi, não sei que beba. [...]



[...] Como juro não quero jurar mas vou, que me fazes falta, eu que gosto pouco de juras, desconfio, acho que dá sempre mau resultado.
Penso nisto quando queria era saber escrever senão as coisas que me passam pela cabeça sem destino destinatário, garrafa de náufrago.
Fazes-me
as vezes que menti a dizer que era indiferente
falta."

(Rodrigo Guedes de Carvalho in "A Casa Quieta")